Lemas do grupo MADA

PRIMEIRO LEMA: FAZER PRIMEIRO AS COISAS PRIMEIRAS

Quando chegamos em MADA percebemos que no passado havíamos nos envolvido em relacionamentos de forma obsessiva e compulsiva. Passamos nossas vidas tentando modificar os outros, sobrando assim pouca energia para nossas tarefas e cuidados pessoais. Agora em recuperação, nossa prioridade deve ser a abstinência dos padrões de comportamentos que nos levaram à dependência.

Às vezes, ficamos muito confusas quando deixamos de controlar outras pessoas, não sabemos por onde devemos começar. É incrível notar como estávamos acostumadas a aconselhar os outros, sabendo exatamente como eles deveriam agir. Agora, tendo que direcionar isso para nós mesmas, descobrimos que não temos tanta habilidade em saber quais são as nossas prioridades.

Você está em processo de recuperação, portanto, tente não se cobrar demais. Comece pelas coisas mais simples. No dia a dia, procure listar o que é preciso ser feito. Faça a si mesma a seguinte pergunta:

Nesse momento, o que é mais importante? E o que é possível ser feito?

SEGUNDO LEMA: DEVAGAR SE VAI AO LONGE

Precisamos tomar cuidado com a tendência de MADA de exigir resultados imediatos em tudo que fazemos.

É muito comum acharmos que, pelo fato de termos ingressado em MADA, nossos problemas devem ser solucionados sem demora. Não há dúvidas de que encontraremos solução para eles através da prática do programa, mas isso é algo que acontecerá aos poucos.

Nosso programa de recuperação é um roteiro para a vida e não apenas um paliativo para soluções momentâneas. O importante é procurar praticá-lo com sinceridade e constância, aplicando seus princípios dia a dia. É dessa forma que ele nos proporcionará uma melhora progressiva, possibilitando-nos solucionar gradativamente nossos problemas e ter também o equilíbrio necessário para aceitar os que não possam ser solucionados.

Apressar-nos poderá resultar em tensões e frustrações, e isso é precisamente o que devemos evitar. Este lema nos sugere portanto, que tenhamos calma e perseverança para chegarmos bem longe em nosso processo de recuperação

TERCEIRO LEMA: VIVER E DEIXAR VIVER

Uma das características da mulher que tem dependência de relacionamento é a necessidade de controlar os outros, e achar que tem o poder de modificá-los.

Dessa forma, passamos pela vida esquecendo de cuidar de nós mesmas, do nosso bem- estar. Esse lema nos sugere que passemos a nos ocupar de nós mesmas, abandonando a direção e o controle de outra pessoa.

Devemos procurar aceitar que nem sempre a forma com que resolvemos nossos problemas é a ideal para todos. Se você der alguma sugestão e ela não for aceita, não significa que sua opinião não tenha valor. Não busque sua autoestima na aprovação e na opinião das pessoas. Quando as pessoas não aceitam nossas opiniões, muitas vezes nos sentimos magoadas, iradas, com o sentimento de termos sido rejeitadas.

À medida que passamos pelo processo de recuperação, passamos a nos valorizar e a cuidar melhor de nós mesmas. Algumas pessoas com as quais convivemos, podem estranhar essas mudanças, e até mesmo tentar nos provocar para voltarmos a exibir o comportamento controlador e desequilibrado a que estavam acostumadas. Procure não cair nessa armadilha.

Lembre-se de que é você quem está em recuperação. O fato de estarmos melhorando não implica que os outros também mudem. Talvez, em função dessas mudanças, o círculo de pessoas com as quais queremos conviver também mude. Respeitar a nós mesmas não significa “impor respeito” ao outro, mas saber se abster das pessoas que nos trazem desconforto.

Sabemos que, deixando os outros viverem as suas vidas e procurando cuidar melhor da nossa, podemos experimentar um grau maior de intimidade verdadeira com pessoas mais saudáveis e com pessoas que possam permitir esse convívio.

A intromissão na vida dos outros, aos quais muitos de nós procuramos impor, embora às vezes de forma inconsciente, a maneira pela qual achamos que devam agir, é mais uma das manifestações da natureza egocêntrica e prepotente do comportamento neurótico.

Esquecemo-nos facilmente que nossos semelhantes também têm, como nós, o direito de decidir de sua própria vida. Igualmente nos esquecemos de que por mais que queiramos, não conseguiremos modificar o modo de proceder de uma pessoa, a não ser que ela mesma assim o deseje e decida fazer.

QUARTO LEMA: VIVER NA GRAÇA DE DEUS

“Afastadas da graça de Deus, tornamo-nos presas fáceis de ser controladas por pessoas”

Sabemos, por experiência própria, que nada podemos fazer contra a adicção a pessoas, quando nos valemos da precária “força de vontade”.

Somente quando nos entregamos de verdade aos cuidados de um “Poder Superior” a nós mesmas, ou a “Deus como cada um de nós O concebe”, é que começamos a sentir que podemos recuperar- nos. O que antes parecia impossível, então, agora é perfeitamente realizável.

As forças que nos faltavam começam a surgir, não mais experimentamos a sensação de estarmos sós e desamparadas, pois podemos perceber a presença reconfortante e vivificadora do Poder Superior em nossas vidas, sentindo que sua força nos sustenta e sua sabedoria nos guia na prática do nosso programa de recuperação.

É assim que passamos a viver na graça de Deus, o fator “x” determinante do milagre das recuperações em nossa Irmandade, para o qual uma análise apenas científica de MADA não consegue encontrar explicação.

A sugestão deste lema é praticamente idêntica à do Terceiro Passo.

Sua aplicação em nossa vida diária é a condição básica para podermos avançar cada vez mais nosso processo de recuperação.

QUINTO LEMA: ESQUEÇA OS PREJUÍZOS

Em MADA, entramos em contato com a realidade que passamos boa parte de nossas vidas envolvidas, seja nos nossos relacionamentos, seja em relacionamentos com os outros, negligenciando nossos desejos e necessidades. Hoje nos pegamos por vezes lamentando nosso passado e desejando que ele tivesse sido diferente.

Remoer nosso passado não vai fazer com que ele seja modificado. Isso pode nos fazer entrar em um processo de auto piedade. Ficar se lamentando dessa forma – “Por que isso aconteceu comigo?” “Ah, eu podia ter feito isso há mais tempo” não vai ajudar em nada.

Lembre-se que nossas ações no passado foram guiadas pelo comportamento doentio. Aceitar a nós mesmas como pessoas emocionalmente doentes nos livra dessa culpa.

Procure valorizar o fato de que estamos num programa de recuperação e que temos um grupo para nos apoiar nesse crescimento.

Sabemos que é parte do nosso processo de recuperação fazer uma investigação da nossa vida e isso inclui o nosso passado. Precisamos rever nossa relação com a família, de onde viemos, nos permitir entrar em contato com os sentimentos, a dor e a tristeza pelos maus tratos sofridos. Mas essa volta ao passado nos ajuda a fazer uma autoanálise, para que possamos identificar os padrões de relacionamento que aprendemos desde nossa infância, de forma a superar o que nos levou às relações doentias.

Esqueça os prejuízos e viva o hoje sem o peso do passado.
SEXTO LEMA: RECOMENDAR-SE A DEUS INCONDICIONALMENTE

Assim como o lema “Viver na Graça de Deus”, o sexto lema também apresenta uma sugestão praticamente idêntica a do Terceiro Passo.

“Recomendarmo-nos a Deus incondicionalmente”, isto é, invocarmos Sua ajuda e Seu amparo, sem pretendermos estabelecer quaisquer condições, significa na verdade entregarmos nossa vida e nossa vontade aos Seus cuidados, para sermos por Ele fortalecidas e guiadas segundo Sua vontade e sabedoria.

Se tivermos admitido nossa impotência perante adicção a pessoas e passado a crer em um Poder Superior a nós mesmas, capaz de reconduzir-nos à sanidade (Primeiro e Segundo Passos), nada mais lógico do que nos entregarmos sem restrições a esse Poder Superior, ou a Deus segundo a concepção de cada uma, conforme é sugerido no Terceiro Passo.

Ao nos recomendarmos a Deus incondicionalmente, não estaremos fazendo nada além de pôr em prática esse Terceiro Passo de importância fundamental em nosso programa de recuperação.

Através desse programa, começamos a mudar, a deixar de ser escravas de temores e ansiedades para ingressarmos numa vida assinalada pelo equilíbrio mental e emocional, e, por isso mesmo, saudável e feliz.

A observação deste lema também tornará mais eficaz a prática do Sétimo Passo, cuja sugestão é a de humildemente rogarmos a Deus que nos livre de nossas imperfeições. De fato, se nos recomendarmos a Ele, incondicionalmente, saberemos praticar esse passo com a humildade que se faz necessária, certas de que iremos sentir a força e a sabedoria de Deus a sustentar-nos e guiar- nos na tarefa de remoção das imperfeições de caráter causadoras de nossa adicção a pessoas.

SÉTIMO LEMA: SÓ POR HOJE

A sugestão contida nesse lema é a de que façamos propostas por apenas um dia, na tentativa de viver o dia de hoje, concentrando-nos no que estamos fazendo nesse momento.

O dia em que estamos vivendo, realmente, é o dia de hoje. O ontem vivemos quando ele era hoje, e o amanhã, quando chegar, será hoje novamente. Isso não significa que não devemos programar nosso futuro, mas que podemos deixar para sentir o resultado das coisas do dia de amanhã quando ele chegar.

A prática desse lema torna bem mais fácil nossa caminhada através do processo de recuperação. Às vezes, pode nos parecer impossível tomar atitudes que são necessárias para melhorar nossas vidas. Mas talvez possamos nos comprometer a praticá-las só por um dia; o dia de hoje.

É importante lembrar que qualquer atitude positiva de mudança que se consiga por um dia ou momento deve ser brindada como uma dádiva. A meditação e a tentativa de contato com um Poder Superior pode ajudar a nos orientar por esse dia. Se um dia inteiro for demais, podemos nos comprometer só por algumas horas e depois, renovar nossa proposta.

Quando chegamos em MADA, descobrimos que há esperança para uma mudança em nossas vidas. Descobrimos o que há de errado conosco e pensamos em “nunca mais” tomar algumas atitudes doentias, que um dia chegamos a ter em nossas vidas e em nossos relacionamentos.

Talvez passemos a cobrar muito de nós mesmas, querendo mudar nosso comportamento da noite para o dia ou mudar tudo de uma só vez. Mas à medida que caminhamos, temos que encarar o fato de que não conseguimos mudar tudo de uma só vez ou somente pela força de vontade.

Lembre-se de que a dependência de relacionamento é uma doença de comportamento. Praticamos durante anos comportamentos doentios com relação a nós mesmas e aos outros.

Agora, devemos procurar aceitar as mudanças, que virão devagar. Com o tempo, através do autoconhecimento que a programação nos oferece, vamos alcançando, lentamente, a mudança em nossos padrões de comportamento, um dia de cada vez. A recuperação virá como consequência dessa prática.

Muitas coisas acontecem num só dia. Tanto positivas quanto negativas. Vivencie ambas como sendo necessárias para seu processo de crescimento.

Você pode criar suas próprias frases como prática desse lema. Por exemplo:

  •     Só por hoje vou procurar viver apenas esse dia.
  •     Só por hoje vou evitar o contato com as pessoas que me maltratam.
  •     Só por hoje não preciso ter pressa.
  •     Só por hoje não tentarei corrigir ninguém, a não ser a mim mesma.
  •     Só por hoje tentarei resolver apenas o que me é possível.
  •     Só por hoje tentarei resolver apenas o que me é possível.

 

3 comments

  1. Bárbara says:

    Sou lésbica e vivo em um relacionamento bastante complicado.
    Vejo que se fala bastante de Deus e, apesar de crer, já sofri muito preconceito em lugares supostamente religiosos. Também não quero que ninguém tente mudar quem eu sou.
    Estou com medo de comparecer à uma reunião e passar por essas situações.
    Eu também seria bem vinda?

    • Intergrupo MADA SP says:

      Boa tarde Bárbara. Embora o programa seja espiritual, ele não é vinculado a nenhuma religião. Não há nenhuma regra que proíba uma mulher que tenha qualquer religião ou não tenha que não possa frequentar. Não há nenhuma invasão de privacidade com a mulher que chega em MADA, não precisa falar nada também se não quiser. MADA não interfere no livre arbítrio de ninguém. O MADA é um grupo de apoio sem líderes, para mulheres que vivem relacionamentos dependentes seja com namoradas, namorados, filhos, esposas, maridos, enfim, contanto que seja mulher ou se identifique como mulher (mulheres trans)! Não interferimos na vida de nenhuma mulher quanto a suas escolhas e seu modo de vida, portanto, seja muito bem vinda! Qualquer outra dúvida, estaremos a disposição 🙂 Paz e serenidade!

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